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Desde os primórdios o homem realiza a atividade de caça à baleia. Existem registros desta atividade no livro mais antigo do Japão, o "Kojiki", do ano de 712. Povos como os bascos, os esquimós da Groenlândia e das Aleutas, os índios das costas dos Estados Unidos, dentre outros, realizavam a prática da caça de maneiras bem arcaicas. Eram aventuras inesquecíveis devido ao porte pequeno das embarcações e ao respeito que havia na época em relação aos desconhecidos "monstros marinhos". Com o passar do tempo, este respeito passou a se transformar em ganância. O interesse econômico prevaleceu e a atividade da caça começou a se expandir através de vários dos oceanos do planeta. Na época, expedições que poderiam durar até 4 anos eram planejadas com o objetivo de se conseguir o óleo das baleias, utilizado-o para confecção de velas para iluminação, e a própria carne, como fonte de alimento. Alguns povos passaram a utilizar as barbatanas das grandes baleias para a confecção de chicotes, guarda-chuvas e espartilhos. Com o tempo, foi descoberto o âmbar cinzento: um derivado sólido do intestino do cachalote, que muito provavelmente é formado pelo tratamento gastrointestinal que recebem os bicos córneos das lulas ingeridas em sua dieta. Do âmbar, sintetizam-se cosméticos, principalmente perfumes. Durante a década de 30, os noruegueses criam o navio-fábrica de propulsão mecânica. Em 1968, concomitantemente com a exploração dos derivados do petróleo, a indústria baleeira ganharia importante aliado: o canhão-arpão. É um arpão com um explosivo fatal à sua extremidade. Anos depois é inventada a técnica de injeção de ar nos corpos das baleias caçadas para que estas flutuassem, facilitando a caça. Surge também o arpão-frio, um arpão que, ao adentrar o corpo do cetáceo, abre-se como um guarda-chuva, causando uma hemorragia interna. Com estes inventos, a caça tomou tais proporções que os próprios baleeiros começaram a ter problemas para encontrar suas presas. Para onde elas foram ?!? A indústria baleeira passou a utilizar os cetáceos caçados para produzir alimento para cachorros e gatos, confecção de cosméticos, conservantes, tintas, vernizes, margarinas, redes de raquetes de tênis, etc. Com o tempo, todos os produtos derivados dos cetáceos passaram a ser sintetizados industrialmente. A caça passou a ser totalmente dispensável à humanidade, com exceção de alguns povos ("causa aborígene"), como Esquimós, Polinésios de Tonga, Indonésios de Timor, dentre outros.

Em 1946, 19 nações formam a "International Whaling Commission (IWC)", ou Comissão Internacional de caça à Baleia ("CIB", em português). Esta comissão foi formada em função da preocupação da exploração indiscriminada de espécies migratórias que são patrimônio da humanidade, e não recursos econômicos de 2 ou 3 países. A IWC passou a controlar a matança indiscriminada de algumas espécies, estipulando cotas e temporadas para alguns países e povos que das baleias sempre dependeram. Anualmente a IWC promove reuniões envolvendo pesquisadores e políticos de todas as nações interessadas em proteger ou caçar as baleias. Alguns países sempre se opuseram à proteção das baleias: Islândia, Japão, Noruega e Coreia são os principais. A caça à baleia também foi realizada no Brasil. Na época colonial era realizada de maneira bem arcaica entre Santa Catarina e Bahia. Entre 1964 e 1986 operou na Paraíba a COPESBRA, uma indústria brasileira subsidiada pela Nipon Reizo Kabashi Kaisha do Japão. Desde 1986 é terminantemente proibida a caça e comercialização de baleias em território nacional. Pelas suas extensões de terras, muito mal distribuídas por sinal, o país não necessita explorar esse recurso alimentar ou econômico. Porém, existem rumores em Brasília de deputados hipócritas que ainda pretendem enriquecer com a caça à baleia no país. Fiquem atentos!!!

Desde 1986, após vários anos de tentativas, e de quase total dizimação das grandes baleias, foi declarada a moratória da caça até a renovação dos estoques destas. Foi dado um prazo de 5 anos para esta renovação, ao final dos quais seria expirada a moratória. Países como Japão (1988), União Soviética (ex) e Noruega (1987) cessaram um pouco mais tarde suas atividades de caça. Nestes países e na Islândia, a caça à baleia é tradicional, vem de tempos remotos, é uma atividade que passa de geração para geração. Os japoneses cultuam a caça à baleia desde os primórdios, sempre manufaturando suas caças integralmente, ou seja, aproveitando praticamente 100% do corpo do cetáceo. Japão e Islândia são países pequenos, encontrados em regiões expostas a vulcanismos constantes, não podendo utilizar suas terras de maneira íntegra. São povos que, juntamente com os noruegueses praticamente sempre extraíram recursos do mar. Em 1992, houve mais uma reunião anual da IWC em Glasgow, Escócia. Nesta, foi negada a suspensão da moratória, houve o desligamento voluntário da Islândia, e houve uma manifestação dos representantes da Noruega de que estes voltariam à caça em 1993, independente da decisão tomada na próxima reunião. O Japão provavelmente faria o mesmo. Em 1993, após uma semana conturbada de reuniões e de discussões no Japão, foi votada pela maioria dos integrantes da IWC a manutenção da moratória por mais 8 (oito!) anos. Este fato tranquilizou de certa forma os conservacionistas, mas é difícil garantir que os países que têm tradição em relação à caça à baleia mantenham suas posições. A maior parte do planeta é coberta por água (3/4) que dificilmente pode ser vigiada no que diz respeito à caça.

Dos anos 90 em diante, a caça à baleia passou a englobar discussões muito delicadas no contexto mundial. Questões econômicas (crise mundial), sociais (crise alimentar), culturais (Japão, Noruega, Islândia e outros povos), políticas e ambientalistas foram consideradas quando da tomada de importantes decisões. A IWC estipulou cotas de caça anuais (exemplo, cerca de 400 baleias-minke para o Japão no Hemisfério Sul) em função das estimativas populacionais serem elevadas (cerca de 900 mil indivíduos). Para obter informações atualizadas sobre as decisões da IWC, consulte o site http://ourworld.compuserve.com/iwcoffice/ em língua inglesa.

Com toda a atenção voltada aos grandes cetáceos, durante vários anos os pequenos cetáceos não só passaram a ser caçados, como também tiveram seus números reduzidos, devido às capturas acidentais em redes de pesca, aos despejos de lixo químico e industrial nos oceanos, à caça indiscriminada de determinadas populações por alguns povos, aos acidentes constantes com navios petroleiros e colisões com lanchas, etc. Os pequenos cetáceos habitantes de rios estão em perigo em todas as partes do mundo onde são encontrados. Esse habitat é altamente vulnerável à degradação e está sob forte pressão de populações humanas em expansão. Para se ter uma idéia, quase 10% da população humana vive ao longo do rio Yangtze, na China, habitat do "Baiji". ("Yangtze river dolphin"), e os despejos de lixo industrial neste rio estão crescendo rapidamente, à medida em que a China "constrói seu futuro" (?!?). Na bacia do Amazonas os problemas relacionam-se com a crescente derrubada da mata florestal, com o desenvolvimento de projetos irracionais e que geralmente têm um aval de um político corrupto por trás, para a implantação de hidrelétricas, exploração pesqueira, e poluição agrícola e industrial. A maior ameaça à sobrevivência dos cetáceos no mundo inteiro reside na ganância e irracionalidade com que os humanos tratam o planeta em que vivem.

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