O Projeto Atlantis foi estruturado no mês de março de 1995 para atender às necessidades de se iniciar uma investigação sobre a mortalidade de cetáceos (baleias e golfinhos) no litoral sul do Estado de São Paulo (mais especificamente no município de Ilha Comprida e na Ilha do Cardoso), e no norte do Paraná (na Ilha do Superagui). A iniciativa partiu do Biólogo Marcos César de Oliveira Santos, que desde o ano de 1993 vinha levantando dados sobre avistamentos e encalhes de cetáceos ao longo de toda a costa paulistana. Dentre tais observações entre 1993 e 1995 destacam-se os primeiros registros da orca-pigméia (Feresa attenuata) e da baleia-bicuda de Arnoux (Berardius arnuxii) para a costa brasileira (clique aquipara ver fotos desses dois exemplares), além do relato da presença do primeiro caso de um golfinho solitário e sociável para o país (espécie Tursiops truncatus), além de mais 69 outras ocorrências.
Em 1995, com o início de seu trabalho de Mestrado, Marcos César estruturou um programa de estudos sobre encalhes concentrados apenas nas praias do litoral sul paulista e norte paranaense. Este programa foi conduzido entre os anos de 1995 e de 1999, com ênfase aos anos de 1996 e de 1998. Os dados levantados encontram-se descritos em sua dissertação de Mestrado em Ecologia e em alguns trabalhos científicos já publicados em revistas indexadas no exterior. Desde o ano de 2000, Marcos César vem realizando seus estudos de Doutorado cujo foco reside em investigações sobre a forma com que os botos-cinza (Sotalia guianensis) utilizam o estuário de Cananéia, também no litoral sul paulista, e a forma com que essa população estudada se organiza socialmente. Ao longo dos anos de 1995 e de 2000, dezenas de estudantes tiveram a oportunidade de acompanhar as coletas de campo. Muitos deles pelo simples prazer de auxiliar e, a grande maioria, com o intuito de dedicar-se a estudos mais detalhados sobre esses mamíferos aquáticos. Em 1997, a Bióloga Luciana Barão Acuña, na ocasião aluna de graduação de Biologia, se empenhou em dar continuidade a seus estudos sobre os cetáceos na região mencionada, ingressando na equipe do Projeto Atlantis. Entre 2000 e 2001 conduziu seus estudos sobre as estimativas do tamanho da população dos botos-cinza (S. guianenesis) no estuário de Cananéia baseando-se na aplicação da técnica de foto-identificação individual. Esta técnica é básica e utilizada com sucesso pelos principais grupos de pesquisa espalhados pelo mundo desde a década de 1970. Os resultados de seu estudo encontram-se descritos em sua dissertação de Mestrado em Ecologia. Entre os anos de 1999 e de 2000, uma outra Bióloga, que na ocasião também era estudante de Biologia, Daniela Pivari, passou a acompanhar as atividades de campo de nossa equipe. A partir de 2001 passou a se dedicar ao estudo das emissões sonoras da população de botos-tucuxi no estuário de Cananéia, que é o foco de seu estudo de Mestrado. Muitas outras pessoas têm nos auxiliado no trabalho campo ou com estudos preliminares que, provavelmente, poderão render importantes resultados se desenvolvidos de médio a longo prazo.
No mês de Maio de 2001 foi inaugurado o site do Projeto Atlantis com hospedagem na USP e, paralelamente, o Programa de Estágio do Projeto Atlantis. Este programa foi estruturado nos moldes dos programas de estágio desenvolvidos em países como os Estados Unidos, o Canadá e a Austrália, para estabelecer programas de participação de qualquer interessado em saídas de campo. Essas saídas têm datas específicas pré-programadas, quando nossa equipe dedica-se exclusivamente aos estagiários com 100% de atenção e prestando um serviço de qualidade. Com essas inovações estamos conseguindo estruturar melhor um cronograma anual de estudos no campo, de análise de dados, de preparação de trabalhos e de projetos, para ministrar cursos e proferir palestras, para atender à demanda de interessados em participar das saídas de campo e, paralelamente, para ter uma vida saudável paralela à vida profissional. No mês de Março de 2002 o site mudou de endereço para uma outra hospedagem, facilitando assim o dinamismo e o funcionamento do mesmo. Muitas outras idéias e projetos estão por vir. Estamos nos esforçando ao máximo para prestar um serviço de qualidade e contamos com a sua participação. Caso você tenha idéias, sugestões ou críticas, envie-nos um e-mail (sotalia@gmail.com). Nós teremos um grande prazer em atendê-lo. Nossa equipe pode ser numericamente pequena, porém sua atuação tem sido grandiosa.
OBJETIVOS DO PROJETO ATLANTIS
Desenvolver programas de pesquisa científica sobre cetáceos de médio a longo prazo no Brasil e no exterior. Tais pesquisas são extremamente necessárias para saber como poderemos manejar, num futuro próximo, o convívio harmonioso da população humana em crescente aumento numérico em diversas regiões do Planeta, com os recursos naturais cada vez mais escassos. Especificamente, pretendemos:
1.1. Conduzir estudos sobre uma população do boto-cinza (Sotalia guianensis) encontrada no estuário de Cananéia, litoral sul do Estado de São Paulo. Tais estudos acabam sendo de longo prazo, pois estamos lidando com uma espécie que apresenta ciclo reprodutivo lento, longevidade relativamente grande (chegam até cerca de 36 anos de idade), que se encontra em águas relativamente turvas, que tem dimensões relativamente pequenas (chegam a 2 metros de comprimento na idade adulta), e que apresenta comportamento tímido quando da presença de embarcações. As linhas de trabalho são as mais diversas, destacando-se as investigações sobre aspectos ecológicos, mortalidade, genética, taxonomia e sistemática. A partir do ano de 2000 as investigações passaram a abranger uma área maior de investigação, que inclui as Baías dos Pinheiros e de Guaraqueçaba no Estado do Paraná. Trabalhamos em parceria com o Departamento de Ecologia da USP, o Departamento de Biologia da USP, o Laboratório de Reparo de DNA do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, o Instituto Oceanográfico da USP (especificamente o Laboratório de Química Orgânica, a Biblioteca, a Base de Cananéia e o Museu), o Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, o Instituto de Pesca de Cananéia, o Projeto Sotalia da Baía de Anhatomirim em Santa Catarina, o Projeto MAQUA da UERJ, o Grupo de Estudos sobre Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (GEMARS), o Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Museu "Prof. Eliézer de C. Rios" em Rio Grande, a Sociedade de Estudos e Pesquisas em Ecossistemas Aquáticos (SEPEA - UNIVAP), o Núcleo Pró-Ação de Guaraqueçaba da Pontifícia Universidade Católica (PUC - PR), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), as ONGs Cetacean Society International, Whale & Dolphin Conservation Society, The Humane Society of the United States.
1.2. Desenvolver estudos populacionais sobre os estoques da baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) na Península Antártica. Tais estudos são desenvolvidos desde 1997/1998 em conjunto com outros pesquisadores brasileiros, e tem apoio da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM) e do Conselho Nacional de Pesquisa e de Desenvolvimento (CNPq). As saídas de campo são efetuadas nos meses de verão quando as baleias-jubarte podem ser encontradas em abundância no continente gelado.
2. Desenvolver programas de capacitação de estudantes e de profissionais de ensino sobre a biologia de cetáceos e de mamíferos aquáticos em geral, de atendimento à demanda cada vez maior de estudantes que desejam conhecer um pouco mais sobre os cetáceos e os mamíferos aquáticos, de atender às solicitações de Universidades e de Colégios pelo país que desejam receber informações sobre cetáceos. Para desenvolver tais programas foram criadas algumas linhas de atuação, dentre as quais destacam-se:
2.1) Cursos teóricos, cursos teórico-práticos e palestras (ver emCursos);
2.2) Programa de Estágio (ver em Programa de Estágio);
2.3) Sugestões Acadêmicas para elaborar monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado (ver em Sugestões Acadêmicas).
Os principais objetivos do Projeto Atlantis apresentados têm algo em comum: Primamos pela QUALIDADE e HONESTIDADE acima de tudo, não interessando que o caminho adequado para se chegar às informações fidedignas com a realidade seja árduo e cheio de obstáculos. Primamos por trabalhar com a VERDADE sempre, pois estamos cientes de que a ciência não compactua com a falsidade. Não estamos interessados em utilizar a imagem e o conhecimento dos cetáceos como um meio para se chegar a um fim economicamente viável aos próprios bolsos como fazem alguns "grupos de pesquisa" pelo país e pelo exterior. Nossa meta está acima destas suspeitas, como fica claro como cristal na qualidade e no EMPENHO aplicado em nossos trabalhos, em nosso site, e em nosso Programa de Estágio. Infelizmente as características descritas (QUALIDADE, HONESTIDADE, VERDADE e EMPENHO) são cada vez mais raras num país como o Brasil. É por isso que nosso título de "país do futuro" nunca se altera. Falcatruas nas privatizações (privatizações de lucros e socialização de prejuízos!!!), picaretagem em todos os níveis, desvios de verbas, desonestidade, inveja e mania de cuidar mais da vida dos outros do que das suas próprias (efeito Big Brother), têm feito dos brasileiros um povo pobre...pobre de coragem, pobre de honra, pobre de méritos, pobre de caráter e, consequentemente, pobre em seu futuro. Portanto, aguce seu senso crítico e adote este estilo que procuramos adotar desde o princípio: qualidade, honestidade, verdade e empenho. As mudanças podem começar com você!